Ontem pela manhã comprei, na banca de revistas, três DVDs com filmes duplos: quatro filmes de Tarzan, todos interpretados por Johnny Weissmuller, e dois faroestes, um com John Wayne, outro com Randolph Scott.
Minutos depois, me dei conta da coincidência: meu pai estaria completando nesta data 78 anos. Coisa do inconsciente, intuição, sei lá, os filmes entram na conta de uma pequena homenagem ao cinéfilo mais eclético que conheci.
Lembro-me de uma foto do pai em frente ao Cine Brasil, lá pelos anos 50, uma longa fila atrás formada por cavalheiros e damas vestidos à rigor, como o cinema daqueles anos merecia. O filme poderia tanto ser um bom melodrama de Douglas Sirk, quanto um inigualável Hitchcock. Ao longo da vida, o pai transitou com desenvoltura entre John Ford e Ingmar Bergman, por exemplo. Ele vivia dentro do cinema, um filme por dia era seu lema, como um mantra.
Não é difícil imaginar o fascínio daquelas noites, o pai se deixando levar por imagens de Ingrid Bergman, Gary Cooper, Ava Gardner, Cary Grant, Sophia Loren. Aprendi todos estes nomes ainda na infância, era o alfabeto que o pai soletrava. Foi nesta cartilha que me ensinou: uma lista infindável de diretores, atores e atrizes, filmes.
Lembro-me que o pai nunca conseguia pronunciar o nome de Johnny Weissmuller, sua língua titubeava entre ueis…, uaiss… se decidia por vesmuler, dizendo como desculpa que fugiu da escola ainda no primário. Mas poucas pessoas no mundo entendiam o verdadeiro significado do grito de Tarzan ecoando no cinema.
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