Contos de criança (1)

Dezembro 10, 2009 por Robertson Mayrink

Contos de criança (2)

Dezembro 10, 2009 por Robertson Mayrink

Agência: RKCR/Y&R

Mercedes Benz | Sony Bravia

Dezembro 10, 2009 por Robertson Mayrink

A estética do filme em comemoração aos 30 anos do Mercedes-Benz Classe G lembra muito a famosa campanha paints da Sony Bravia.

Guiness slide

Dezembro 9, 2009 por Robertson Mayrink

Agência: BBDO New York

A simplicidade poética de Kieslowiski

Dezembro 9, 2009 por Robertson Mayrink

Gosto do Kieslowiski poético da trilogia da cores e, principalmente, do infinitamente belo Não amarás (1988). Agora, conheço um pouco seu lado político-experimental, mas sem deixar de lado o cinema de poesia.

Cinemaníaco (Amator, Polônia, 1979) retrata Lodz, cidade do cineasta. Filip, funcionário de uma fábrica, compra uma câmera de cinema e passa a fazer filmes caseiros. Os filmes agradam ao diretor da empresa que passa a financiá-lo e também a controlar as produções de Filip. Sugere fitas favoráveis ao partido, à cidade, determina cortes de cenas. Visto assim, Cinemaníaco pode ser um simples filme sobre ditadura e censura no leste europeu. É mais do que isso.

Filip fica aos poucos obcecado com as imagens cotidianas que faz: trabalhadores em frente a sua casa, um operário da fábrica – deficiente físico, em seu dia-a-dia de trabalho e lazer; as fachadas de prédios de sua cidade pintadas para impressionar na TV. No momento das filmagens, é um Filip entusiasta, alegre, ingênuo, a câmera na mão enquadrando amadoramente as paisagens urbanas e seus personagens. À medida que vê as imagens projetadas, o personagem transforma-se em um Filip reflexivo, amargurado; consciente de sua incapacidade, busca sentido em debates sobre cinema. Aos poucos, a vida tranquila com a qual sonhara desmorona, sua mulher o abandona e o único gesto de que Filip é capaz neste momento é enquadrá-la com as mãos, simulando a câmera de cinema.

Filip pode ser o alter-ego do cineasta, não apenas de Kieslowiski mas de todos os verdadeiros cineastas que conseguem revelar a poesia de imagens brutas, como trabalhadores nas ruas ou operários na fábrica. O anão, quando se vê na tela, abandona a sala de exibição (sala de sua própria casa) e diz a Filip: “é a coisa mais bonita que já vi na vida, eu preciso sair”. Precisa ir para as ruas se defrontar com a sua realidade, não aquela do cinema em que se viu.

“Ese fascínio pela observação da vida cotidiana revela a visão do mundo do cineasta, oferecendo indícios sobre a sua poesia cinematográfica. (…) O cineasta assume um papel como de um observador da realidade (enquanto rede sígnica), utilizando o instrumento próprio do cinema (concreto e onírico, ao mesmo tempo) para tentar reproduzir a ambiguidade, a incerteza e a imprevisibilidade da vida cotidiana e, principalmente, dos seres humanos (transformados em personagens).” – Erika Savernini, em Índices de um cinema de poesia.

Krzysztof Kieslowski disse em entrevista que o ambiente político era apenas um cenário de fundo em seus filmes. “Mesmo os documentários em curta-metragem eram sempre sobre pessoas, sobre como são.” Ou como poderiam ser, base da narrativa de  Acaso (Przypadek, Polônia, 1987).

Witek é um jovem estudante de medicina. Após a morte do pai, abandona o curso, “perde a vocação”. Resolve ir para Varsóvia e corre atrás do trem na estação, conseguindo entrar no último instante. Esse incidente, a corrida pela estação, é o elo de ligação entre três possíveis destinos para o personagem. E mostra, mais uma vez, o domínio de Kieslowski sobre a narrativa do cinema.

Na primeira parte do filme, Witek consegue pegar o trem, embarca para Varsóvia e encontra sua vocação em um burocrata servidor político do regime. Voltamos então à cena da estação: Witek não consegue pegar o trem, derruba um guarda da estação, é preso e acaba como um subversivo, combatente do regime. Mais uma vez na estação: Witek não consegue pegar o trem mas não derruba o guarda. Ele encontra na plataforma uma colega de medicina, volta para a universidade e casa-se com a estudante, começando uma proeminente carreira de médico.

Mais do que um estudo a respeito dos acasos que podem transformar nossos destinos, Kielowiski experimenta os acasos da narrativa cinematográfica. Se o diretor abrisse o plano na primeira sequência da plataforma da estação de trem, veríamos que os personagens que influem em seus destinos estão presentes em todas as três sequências: o trem, o guarda, a colega de escola. A cada sequência da estação, Kielowiski muda ligeiramente os ângulos, os planos, insere os mesmo inserts mas com perspectivas diferentes; nas duas primeiras tentativas de pegar o trem, Witek e os espectadores não vêem a jovem estudante, na terceira, um corte seco mostra que ela esteve ali, observando-o correr em todas as tentativas.

O diretor (nas concepções da palavra como função cinematográfica e como função de direcionar) é quem escolhe, através de uma simples mudança de ângulo de visão, o destino de seu personagem. Define as possibilidades perceptivas do espectador, fazendo-o participar do jogo narrativo: nos três destinos de Witek, os mesmos personagens vão se cruzando nos mesmos ambientes, porém, com destinos alterados. Cabe ao espectador juntar as peças.

Volto ao livro Índices de um cinema de poesia, com outro depoimento de Kieslowiski:

“Quando eu ainda estava na escola de cinema, meus amigos e eu frequentemente fazíamos um jogo que era muito simples, mas que requeria integridade. No caminho para a escola, pela manhã, nós tínhamos que coletar pontos. Se você visse alguém sem um braço você conseguia 1 ponto, sem dois braços 2 pontos… (…) Nós fizemos esse jogo por muitos anos. Existiam outras coisas também que nós observávamos com uma certa paixão. Eu comecei a tirar fotos então…(…) Eu amava tirar fotos. E sempre os objetos das fotos eram pessoas velhas, pessoas contorcidas, olhando ao longe, sonhando ou pensando sobre como as coisas poderiam ter sido, e reconciliadas com o modo como são.”

Através dessa singular observação da realidade, Kieslowiski construiu seu cinema poético. A simplicidadade desta construção está no gesto do personagem Filip, de Cinemaníaco: a poesia está nos olhos dele, basta apenas colocar uma câmera entre eles e a realidade.

Clichês da propaganda erótica (1)

Dezembro 8, 2009 por Robertson Mayrink

Agência: Glow, Berlin, Germany

Esse olhar masculino ao retrata a mulher na propaganda não muda. É sempre a mesma caracterização erotizada, os mesmos fetiches. É como assistir a um único filme, ver um único anúncio, repetidas vezes. Clichês masculinos (ou machistas?) colocam sempre a mulher como OBJETO  de desejo.

Clichês da propaganda erótica (2)

Dezembro 8, 2009 por Robertson Mayrink

melissalovepirata1

melissalovepirata2

melissalovepirata3

Agência: Casa Darwin

Clichês da propaganda erótica (3)

Dezembro 8, 2009 por Robertson Mayrink

Convenção de Copenhague

Dezembro 8, 2009 por Robertson Mayrink

Arc Communications, UK.

Campanha do Greenpeace  colocada no aeroporto de Copenhague/Dinamarca, aproveitando a convenção climática que começou ontem. Cerca de 100 líderes mundiais devem participar das discussões sobre as possíveis soluções para os problemas climáticos mundiais. Resta saber se vão tomar atitudes ou pedir desculpas no futuro, quando nada mais puder ser feito.

O menino do pijama listrado

Dezembro 7, 2009 por Robertson Mayrink

A história é implausível: Bruno, o filho de um oficial alemão e Shmuel, uma criança judia, passam os dias conversando, separados pela cerca do campo de concentração de Auschiwitz. O pai de Bruno é o diretor do campo de concentração onde Shmuel está confinado com a família. Tornam-se amigos mesmo sob toda a “propaganda” a qual Bruno é exposto, colocando os judeus como inimigos da Alemanha.

Implausível porque mesmo com toda a vigilância de Auschiwitz, um dos mais famosos, cruéis e vigiados centros de extermínio da Alemanha nazista, em nenhum momento as crianças são surpreendidas. Passam horas sentadas de frente para o outro, conversando, jogando damas, Bruno chega até mesmo a levar uma bola para brincarem. Neste aspecto, o roteiro força uma situação impossível para colocar frente a frente duas crianças ingênuas, alheias ao massacre que acontece diariamente no campo. Os meninos vão construindo aos poucos uma amizade despretensiosa, sem buscar explicações para o que acontece ao redor, quase diante dos seus olhos.

O menino do pijama listrado (The boy in the stripped pyjamas, Inglaterra/EUA, 2008), de Mark Herman, sofre do desgaste natural deste gênero: filmes sobre o nazismo. A cada ano, o cinema produz dois ou três filmes sobre o tema, revisitando uma história infinitamente contada. No mesmo 2008, foram lançados ainda O leitor e Um homem bom.

Mesmo tratando de um dos temas mais chocantes da história, O menino do pijama listrado é um filme frio, as duas crianças não conseguem empatia com o espectador, você acaba mantendo uma certa distância do drama, da tragédia que vai aos poucos se delineando. Além de também completamente implausível, o final é desnecessário, segue essa tendência do cinema contemporâneo no qual importa chocar o espectador a qualquer custo.

O final do filme me leva a um sábio diálogo entre Alfred Hitchcock e François Truffaut  (HitchcockTruffaut, Entrevistas) sobre uma cena do filme Sabotagem (1936):

Hitchcock: “Mas há também um erro meu gravíssimo: o garotinho que leva a bomba. Quando um personagem passeia com uma bomba sem saber, como um simples embrulho, você cria em relação ao público um fortíssimo suspense. Ao longo de todo esse trajeto o personagem do garoto tornou-se demasiado simpático para o público, que, em seguida, não me perdoou tê-lo feito morrer quando a bomba explodiu com ele no bonde. O que deveria ser feito? Oscar Homolka deveria matar voluntariamente o garoto – e talvez não se visse esse crime – e em seguida sua mulher deveria matá-lo para vingar o irmãozinho.”

Truffaut: “Acho que mesmo essa solução deixaria o público contrariado; é muito delicado, creio, fazer morrer uma criança num filme; beira-se o abuso do poder do cinema. O que acha?

Hitichcock: “Concordo. É um grave erro.”